sexta-feira, 15 de junho de 2018

ATO 2 - A MORTE

Entrou, já sem ar,
o quarto pequeno.
Fechou a janela,
um estouro seco.
Apagou a luz,
deitou encolhido na cama.

Não queria respirar.

Que o ar se fosse mesmo, era o melhor.
Encolheria mais.
Queria ser menor para caber dentro de si.

Pensou em tirar o sangue.
Por que não as tripas?
Os órgãos todos!


Respirou


Ar e poeira.


Tosses.


Só o ar.
Precisava tirar só o ar.
Só o que era impalpável lhe fazia mal.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

ATO 1 – A Louca

Tua vibração pulsa, percorre o chão é absorvida pelas papilas das plantas dos pés. Os tambores temperam a carne, amaciam no balanço.

Não é perfume de butique é nosso cheiro de suor movimento.

Desfila. Desfila sim. Olha nos olhos estranhos que te encontram.

Canta com a boca dos outros, a saliva coletiva derrete os pudores.

No balance dos jogos de ritmo improvisado, é calor, meu corpo derretendo em gostos, tua língua refrescando os desejos.

Nas voltas das bundas, dos nossos braços, no meio da multidão de olhos sorrisos, a gente.

Ao som do surdo, do toque crescendo embalando corações, teu compasso firmando minha composição.

Não é procura é encontro, boca sem dizeres. Achamo-nos.
 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Juras

Trocaram olhares, mas eram promessas, não as mesmas, não se conheciam. As palavras eram futuro. Juras do que já desejavam, do que traziam no coração, dos corpos se aquecendo...