quarta-feira, 15 de junho de 2011

Um dia

Almoçava devagar, primeiro a salada, depois revezava uma garfada de arroz, outra de feijão, um belisco no peixe. Aquilo tudo não combinava com seu apetite guloso.
Não tinha sono, mas dormiria uma sesta, ou melhor, ficaria na cama com o mesmo ar moroso.


Não podia negar a si mesmo, por mais que soubesse que negaria à outros, estava apaixonado! Acordara apaixonado; assim como se acorda doente, de repente, se sentindo um pouco mal, no seu caso um pouco bem, e foi crescendo no passar do dia, ao meio dia se sentia leve, aquela felicidade miúda de sorrisos dados. Ah Anita!


De volta ao trabalho, permitiu-se ouvir as músicas do passado, era Anita, era passado, de alguns anos, de muita saudade. Por isso negaria friamente sua re-paixão, de um dia, porque esse sentimento não o perseguia, não se fazia constante.

Mas naquele dia estava apaixonado.

O cabelo, os olhos, o cheiro de Anita... de novo no seu mundo, tão inebriante que não o fazia se perguntar o por quê, só se perguntava se devia colocá-la nesse momento ou se ele era só seu.

Gostava de pensar que eram uma música, que eram um filme.

Dedilhou umas palavras e frases sobre o que diria e o que foi dito, sem peso, sinceras. Aquilo, aplacou o sentimento que ao fim do dia, ao fazer o ritual do café, que começará com ela, se percebia novamente como o atual que era, de all star e camisa xadrez.

Pela noite com a cabeça já no travesseiro parecia mais um sonho longo e gostoso de saudades.

No dia seguinte, curado, ao rever a mensagem nos rascunhos do e-mail, não teve dúvidas, nem hesitou, mensagem enviada, no assunto, “Foi para sempre, ficará para sempre conosco”.

Um comentário:

  1. Que bom, texto novo. Apaixonante por sinal... e por mais de um dia!

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